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Inventário de Carbono GEE

Guia completo sobre Inventário de Carbono para PMEs. GHG Protocol, Escopos 1, 2 e 3, SBCE e regulações brasileiras.

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Resumo

Este artigo explica como empresas brasileiras de médio porte elaboram um Inventário de Emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE) seguindo a metodologia do GHG Protocol (Protocolo de Gases de Efeito Estufa). Gestores ambientais e profissionais de compliance que fornecem para clientes regulados pelo SBCE (Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões) ou exportadores sujeitos ao CBAM (Mecanismo de Ajuste de Carbono na Fronteira) europeu precisam dominar esse processo. Com a Lei 15.042/2024, empresas acima de 10.000 tCO2e/ano devem reportar emissões obrigatoriamente, enquanto a pressão de Escopo 3 atinge fornecedores de todos os portes. O guia cobre as sete etapas do inventário, fatores de emissão do MCTI (Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação), custos de R$ 3.000 a R$ 80.000, verificação ISO 14064 e publicação no Registro Público de Emissões do Programa Brasileiro GHG Protocol, que registrou 1.315 inventários no Ciclo 2025.

Verificado

Um inventário de carbono empresa é o primeiro passo para entender a pegada ambiental real da sua operação. Sem ele, qualquer meta de redução de emissões e um chute — e qualquer compensação com créditos de carbono e um gasto sem diagnóstico. Em 2025, o cenário mudou: a Lei 15.042/2024 criou o SBCE (Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões), e grandes clientes já comecaram a pedir dados de emissão dos fornecedores para reportar o Escopo 3. Se sua empresa tem entre 100 e 500 funcionários e ainda não fez um inventário de emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE), este guia mostra exatamente por onde começar, quanto custa e quais erros evitar.

O que é um inventário de carbono e quem precisa fazer?

O Inventário de Emissões de GEE é um documento que quantifica todos os gases de efeito estufa emitidos por uma organização em um período específico, geralmente 12 meses. Segue a metodologia do GHG Protocol (Protocolo de Gases de Efeito Estufa), cobrindo Escopos 1, 2 é opcionalmente 3, e consolida os resultados em toneladas de CO2 equivalente (tCO2e). Embora obrigatório apenas para empresas acima de 10.000 tCO2e/ano pelo SBCE (Lei 15.042/2024, Art. 30), qualquer empresa que forneça para grandes clientes ou exportadores sujeitos ao CBAM (Mecanismo de Ajuste de Carbono na Fronteira) europeu será pressionada a apresentar seus dados de emissão.

Resumo

O que é um inventário de carbono empresa: conceito e importância

O Inventário de Emissões de GEE é um documento técnico que mede e registra todos os gases de efeito estufa emitidos por uma organização em um período determinado, expresso em tCO2e. Cobre sete gases definidos pelo GHG Protocol, não apenas CO2. E pré-requisito para metas de redução, compliance com o SBCE e acesso a cadeias de fornecimento de grandes clientes regulados.

Key takeaway: O inventário de carbono empresa e pré-requisito comercial para fornecer a grandes empresas reguladas pelo SBCE — comece antes que o cliente exija.

O Inventário de Emissões de GEE (Gases de Efeito Estufa) é um documento técnico que mede e registra todos os gases de efeito estufa emitidos pela sua empresa em um período determinado — normalmente um ano-calendário. O resultado e expresso em tCO2e (toneladas de CO2 equivalente), uma unidade padrão que permite comparar gases diferentes em uma única métrica.

Inventário de Emissões de GEE

Documento que quantifica as emissões e remoções de gases de efeito estufa de uma organização em determinado período. Segue a metodologia do GHG Protocol, cobrindo os Escopos 1, 2 e (opcionalmente) 3. Inclui identificação de fontes emissoras, coleta de dados de atividade, aplicação de fatores de emissão e consolidação em toneladas de CO2 equivalente (tCO2e).

Um ponto que surpreende muitos gestores: inventário de carbono não mede apenas CO2. Ele cobre sete gases de efeito estufa definidos pelo Protocolo de Quioto e pelo GHG Protocol (Protocolo de Gases de Efeito Estufa): CO2, CH4 (metano), N2O (óxido nitroso), HFCs, PFCs, SF6 e NF3, segundo GHG Protocol/WRI. Uma empresa de serviços com 200 funcionários, por exemplo, pode ter emissões significativas de HFCs (ar-condicionado e refrigeração), CH4 (tratamento de efluentes) e emissões indiretas de energia elétrica.

Mas por que sua empresa deveria investir tempo e dinheiro nisso? Três razoes práticas:

  1. Pressão de supply chain. Aproximadamente 5.000 empresas industriais terão metas de descarbonização no mercado regulado do SBCE, segundo o Ministério da Fazenda (2024). Essas empresas vão exigir dados de emissão dos fornecedores para reportar seu Escopo 3. Se você fornece para grandes indústrias, o inventário GEE será pré-requisito comercial.

  2. Compliance regulatório em cascata. A Resolução CVM 193/2023 exige que companhias abertas divulguem emissões de GEE (incluindo cadeia de valor) a partir de 2026. Isso significa que toda a supply chain será pressionada a gerar dados de emissão.

  3. Vantagem competitiva real. No Ciclo 2025 do Programa Brasileiro GHG Protocol, 674 organizações publicaram seus inventários — crescimento de 25% segundo FGVces (Centro de Estudos em Sustentabilidade da FGV) (2025). Ter um inventário publicado coloca sua empresa em um grupo seleto e demonstra maturidade de gestão ambiental para clientes, investidores e parceiros.

Obrigação legal vs. voluntário: SBCE, supply chain e crédito ESG

A obrigatoriedade do inventário de GEE depende do volume de emissões e da cadeia de valor da empresa. O SBCE (Lei 15.042/2024) exige relato obrigatório acima de 10.000 tCO2e/ano e conciliação acima de 25.000 tCO2e/ano. Empresas abaixo desses limiares são impactadas indiretamente pela pressão de clientes regulados, exportadores sujeitos ao CBAM europeu e companhias abertas sob a Resolução CVM 193/2023.

Key takeaway: Mesmo abaixo de 10.000 tCO2e/ano, sua empresa pode perder contratos se não tiver dados de emissão para clientes regulados pelo SBCE.

A pergunta mais frequente e direta: "Minha empresa e obrigada a fazer um inventário de carbono empresa?" A resposta depende do tamanho das suas emissões e da sua cadeia de valor.

Obrigação direta — SBCE (Lei 15.042/2024)

SBCE — Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões

Mercado regulado de carbono brasileiro, instituído pela Lei 15.042/2024. Estabelece teto de emissões para empresas que emitem acima de 10.000 tCO2e/ano (reportar) ou 25.000 tCO2e/ano (compensar). Operadores regulados devem adquirir ou gerar créditos para cobrir emissões excedentes. Aguarda regulamentação pelo Decreto e pela CIM para plena operação.

A Lei 15.042/2024, que instituiu o SBCE, definiu dois limiares:

LimiarObrigaçãoBase legal
Acima de 10.000 tCO2e/anoMonitoramento e relato obrigatório de emissõesArt. 30, Lei 15.042/2024
Acima de 25.000 tCO2e/anoConciliação periódica (cap-and-trade) — adquirir ou gerar créditosArt. 30, Lei 15.042/2024
Abaixo de 10.000 tCO2e/anoSem obrigação direta pelo SBCE

Regulação em andamento. A Lei 15.042/2024 (SBCE) foi sancionada em dezembro de 2024, porém o decreto regulamentador com detalhes de fases, prazos, setores específicos e regras de alocação de cotas ainda não foi publicado até abril/2026. Os limiares e obrigações aqui descritos baseiam-se no texto da lei e podem ser ajustados pela regulamentação. Ultima verificação: 2026-04-02.

Obrigação indireta — a pressão do Escopo 3

Mesmo que sua empresa emita menos de 10.000 tCO2e/ano, você pode ser impactado de três formas:

  • Clientes regulados pelo SBCE exigirão dados de emissão dos fornecedores para compor seu Escopo 3.
  • Exportadores sujeitos ao CBAM (Mecanismo de Ajuste de Carbono na Fronteira) europeu precisarão reportar emissões embutidas em produtos como aço, alumínio e cimento — o CBAM impactara mais de US$ 3 bilhões em exportações brasileiras, segundo a CNI (Confederação Nacional da Indústria) (2023). Seus fornecedores serão cobrados.
  • Companhias abertas sob a Resolução CVM (Comissão de Valores Mobiliários) 193/2023 deverão divulgar emissões de cadeia de valor em seus relatórios IFRS S2 (Divulgações Relacionadas ao Clima).

Na prática, o inventário de carbono empresa feito de forma voluntária e antecipada e vantagem competitiva para PMEs (Pequenas e Médias Empresas). Quem não tiver dados de emissão pode perder contratos com grandes clientes ou ficar fora de cadeias de fornecimento de exportadores.

Crédito ESG e acesso a capital

Para além da obrigação legal, o inventário GEE é um dos indicadores mais solicitados em avaliações ESG (Ambiental, Social e Governança) de instituições financeiras. Bancos e investidores que adotam critérios de financa sustentável exigem dados de emissão como pré-requisito para crédito verde e fundos ESG. Os dados do inventário também alimentam diretamente o relatório de sustentabilidade, que consolida indicadores ambientais, sociais e de governança em um ��nico documento. Empresas que já gerenciam resíduos podem integrar os dados do PGRS com o inventário GEE para uma visão ambiental mais completa.

GHG Protocol: a metodologia padrão para inventários no Brasil

O GHG Protocol é o padrão internacional mais utilizado para contábilização de emissões corporativas, desenvolvido pelo WRI e WBCSD. No Brasil, o Programa Brasileiro GHG Protocol, gerido pelo FGVces desde 2008, oferece ferramenta de cálculo com fatores MCTI, capacitação e o Registro Público de Emissões. A metodologia define cinco princípios — relevância, integralidade, consistência, transparência e exatidão.

Key takeaway: O Programa Brasileiro GHG Protocol oferece ferramenta gratuita de cálculo com fatores MCTI — não é preciso começar do zero.

O GHG Protocol (Protocolo de Gases de Efeito Estufa) é o padrão internacional mais utilizado para contábilização e reporte de emissões corporativas. Desenvolvido pelo WRI (World Resources Institute) e pelo WBCSD (World Business Council for Sustainable Development), sua versão revisada data de 2004 (atualizada em 2015), segundo WRI/WBCSD.

GHG Protocol — Protocolo de Gases de Efeito Estufa

Padrão internacional mais utilizado para contábilização e reporte de emissões de gases de efeito estufa. Desenvolvido pelo WRI e WBCSD, define os princípios de relevância, integralidade, consistência, transparência e exatidão. No Brasil, o Programa Brasileiro GHG Protocol é gerido pelo FGVces e pública o Registro Público de Emissões anualmente.

No Brasil, a adaptação oficial e o Programa Brasileiro GHG Protocol, gerido pelo FGVces (Centro de Estudos em Sustentabilidade da FGV) desde 2008. O programa oferece:

  • Ferramenta de cálculo — planilha Excel e plataforma web com fatores de emissão brasileiros atualizados
  • Capacitação — mais de 2.270 profissionais treinados até 2024, segundo FGVces
  • Registro Público de Emissões — plataforma onde empresas publicam voluntariamente seus inventários

O GHG Protocol define cinco princípios que todo inventário deve seguir:

  1. Relevância — o inventário deve refletir as emissões reais da empresa e servir para decisões de gestão
  2. Integralidade — todas as fontes e atividades relevantes devem ser incluidas
  3. Consistência — a metodologia deve permitir comparação ao longo do tempo
  4. Transparência — premissas, métodos e fontes de dados devem ser documentados
  5. Exatidao — os cálculos devem minimizar incertezas dentro do que e praticavel

Duas abordagens de consolidação são possíveis: controle operacional (a empresa inclui 100% das emissões das operações que controla) ou participação acionária (inclui emissões proporcionais a sua participação em cada unidade). Para a maioria das PMEs brasileiras, a abordagem de controle operacional e mais simples e mais adequada.

Escopos 1, 2 e 3 explicados com exemplos brasileiros

O GHG Protocol divide emissões em três escopos: Escopo 1 (emissões diretas de fontes próprias), Escopo 2 (emissões indiretas pela compra de energia) e Escopo 3 (emissões na cadeia de valor). No Brasil, o Escopo 2 e influenciado pela matriz renovável do SIN (Sistema Interligado Nacional), enquanto o Escopo 3 representa tipicamente 70% a 90% da pegada total de uma empresa, segundo GHG Protocol/WRI (2011).

Key takeaway: Comece pelos Escopos 1 e 2 (dados internos, fáceis de medir) e inclua o Escopo 3 no segundo ano com dados mais robustos.

A estrutura de escopos é o coração do inventário GEE. Cada escopo delimita um tipo de emissão conforme a relação da empresa com a fonte emissora.

Escopo 1 — Emissões Diretas de GEE

Emissões de gases de efeito estufa provenientes de fontes que a empresa possui ou controla diretamente. Inclui combustão em caldeiras, fornos e veículos próprios, emissões fugitivas de equipamentos de refrigeração e processos industriais. É o escopo mais simples de medir é o primeiro que a empresa deve inventariar.

EscopoO que incluiExemplos brasileirosFacilidade de medição
Escopo 1 — Emissões diretasCombustao em fontes próprias; emissões fugitivas; processos industriaisFrota diesel de transportadora no eixo SP-MG; caldeira a gas natural em indústria alimenticia no Parana; ar-condicionado e refrigeração (HFCs) em supermercado; forno de clinquer em cimenteira de Minas GeraisAlta — dados internos da empresa
Escopo 2 — Energia indiretaEletricidade, vapor, aquecimento ou resfriamento compradosConsumo de eletricidade do SIN (Sistema Interligado Nacional) por fabrica em Manaus (fator de emissão varia com despacho termico); compra de vapor industrial por petroquimica na Bahia; datacenter em São Paulo consumindo energia do gridMédia — depende do fator de emissão do grid (MCTI)
Escopo 3 — Cadeia de valor15 categorias: bens adquiridos, transporte, resíduos, viagens, deslocamento de funcionários, uso de produtos vendidos, entre outrosFrete rodoviário de insumos importados via Porto de Santos; deslocamento casa-trabalho de funcionários em capitais (onibus, carro, metro); destinação de resíduos industriais em aterros; emissões de uso de eletrodomésticos vendidos por fabricante nacionalBaixa — depende de dados de terceiros

Escopo 1 e onde a maioria das empresas começa. Você controla a fonte, entao controla os dados. Uma transportadora, por exemplo, tem como principal fonte de Escopo 1 o diesel consumido pela frota. Uma indústria química soma combustão de caldeiras, emissões de processo e vazamentos de gases refrigerantes.

Escopo 2 no Brasil tem uma particularidade: a matriz elétrica brasileira é composta por aproximadamente 83% de fontes renováveis (hidreletrica, eolica, solar, biomassa), segundo EPE (Empresa de Pesquisa Energética)/BEN (2024). Isso faz com que o fator de emissão do grid seja relativamente baixo comparado a países com matrizes fosseis — mas não é zero. O fator do SIN varia mensalmente conforme o despacho termico. Duas abordagens são aceitas: baseada em localização (média do grid) e baseada em escolha (contratos de energia renovável).

Escopo 3 é o mais complexo e também o mais revelador. Representa tipicamente 70% a 90% da pegada de carbono total de uma empresa, segundo GHG Protocol/WRI (2011). São 15 categorias, das quais as mais relevantes para PMEs brasileiras costumam ser: bens e serviços adquiridos (categoria 1), transporte upstream (categoria 4), resíduos gerados nas operações (categoria 5) e deslocamento casa-trabalho de funcionários (categoria 7).

A tabela abaixo resume como cada escopo se aplica na prática para três perfis comuns de PMEs brasileiras:

AspectoIndústria (ex: metalúrgica em MG)Serviços (ex: escritório contábil em SP)Comércio (ex: distribuidora em PR)
Principal fonte Escopo 1Fornos, caldeiras, empilhadeiras GLPGeradores diesel (backup), frota de veículos levesFrota de entrega (diesel/gasolina)
Principal fonte Escopo 2Alto consumo elétrico (motores, compressores)Consumo elétrico moderado (climatização, TI)Refrigeração de armazens e camaras frias
Principal fonte Escopo 3Matérias-primas (aço, químicos), frete de insumosDeslocamento de funcionários, viagens aereas, materiais de escritórioFrete de mercadorias, embalagens, resíduos
Complexidade do inventárioAlta — múltiplas fontes, processos industriaisBaixa — poucas fontes diretas, dados acessíveisMédia — frota + cadeia logística

Comece pelo Escopo 1 e 2 — são obrigatórios no GHG Protocol é suficientes para publicar um inventário Bronze no Registro Público. Inclua o Escopo 3 no segundo ano, quando você já dominar a metodologia e tiver dados mais robustos.

Fatores de emissão MCTI: como usar a tabela oficial brasileira

Os fatores de emissão do MCTI (Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação) são coeficientes oficiais que convertem dados operacionais (litros de diesel, kWh de eletricidade) em emissões de GEE expressas em tCO2e. Publicados pelo MCTI através do sistema SIRENE, cobrem combustão estacionária, combustão móvel, processos industriais, tratamento de resíduos e o grid elétrico do SIN, atualizado mensalmente.

Key takeaway: Use sempre os fatores de emissão do MCTI/SIRENE — a Ferramenta GHG Protocol Tool já os incorpora e evita erros de conversão.

O fator de emissão e o coeficiente que traduz dados operacionais (litros de diesel, kWh de eletricidade, quilômetros rodados) em emissões de GEE expressas em tCO2e. E o "tradutor" entre o que sua empresa faz e o que ela emite.

No Brasil, os fatores oficiais são publicados pelo MCTI (Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação) através do sistema SIRENE. A tabela cobre:

  • Combustao estacionária — fatores para gas natural, GLP, diesel, óleo combustível, lenha, carvão
  • Combustao móvel — fatores por tipo de veículo e combustível (diesel, gasolina, etanol, GNV)
  • Processos industriais — fatores para cimento, cal, vidro, químicos
  • Tratamento de resíduos — fatores para aterro, compostagem, tratamento de efluentes
  • Grid elétrico (SIN) — fator de emissão da eletricidade, atualizado mensalmente

Para converter cada gas em CO2 equivalente, aplica-se o GWP (Potencial de Aquecimento Global) do IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas) AR5 (2014): CO2 tem GWP=1, CH4 tem GWP=28 e N2O tem GWP=265. Isso significa que 1 tonelada de metano equivale a 28 toneladas de CO2 em termos de impacto climático.

Os fatores de emissão do MCTI são atualizados periodicamente. O fator do grid elétrico (SIN) varia mensalmente. Sempre consulte a versão mais recente em gov.br/mcti antes de calcular seu inventário. A Ferramenta GHG Protocol Tool já incorpora os fatores MCTI atualizados.

Como usar na prática:

A formula básica e: Emissão (tCO2e) = Dado de atividade x Fator de emissão x GWP

Por exemplo: se sua empresa consumiu 10.000 litros de diesel em um ano, você multiplica 10.000 pelo fator de emissão do diesel (fornecido pelo MCTI, em kg CO2/litro) e converte para toneladas. A Ferramenta GHG Protocol Tool faz esse cálculo automaticamente — você insere os dados de atividade é a ferramenta aplica os fatores corretos.

Passo a passo para elaborar seu inventário GEE (7 etapas)

A elaboração de um inventário GEE segue sete etapas baseadas no GHG Protocol Corporate Standard: definir limites organizacionais, definir limites operacionais (escopos), identificar fontes de emissão, coletar dados de atividade, aplicar fatores de emissão do MCTI, calcular e consolidar emissões em tCO2e, e verificar e publicar no Registro Público. O processo leva de 2 a 6 meses para o primeiro inventário completo.

Key takeaway: Reserve 2 a 6 meses e priorize a coleta de dados de atividade — e a etapa mais trabalhosa e define a qualidade final.

O processo de elaboração de um inventário de carbono empresa segue uma sequencia logica baseada no GHG Protocol Corporate Standard (WRI/WBCSD, 2004 rev. 2015). Estas são as sete etapas:

Etapa 1: Definir limites organizacionais

Escolha a abordagem de consolidação: controle operacional (inclui 100% das emissões de tudo que você opera) ou participação acionária (inclui proporcionalmente). Mapeie quais unidades, filiais e subsidiarias entram no inventário.

Para PMEs com estrutura simples (uma ou poucas unidades, sem participações societarias cruzadas), o controle operacional e quase sempre a melhor escolha. Ele e mais intuitivo e evita cálculos proporcionais complexos.

Etapa 2: Definir limites operacionais (escopos)

Decida quais escopos serão cobertos. O mínimo exigido pelo GHG Protocol e Escopos 1 e 2. O Escopo 3 é recomendado, especialmente se sua empresa e pressionada por clientes ou investidores, mas não é obrigatório no primeiro inventário.

Se for incluir Escopo 3, identifique quais das 15 categorias são relevantes para o seu negócio. Para a maioria das PMEs de serviços, as categorias mais significativas são: bens adquiridos, transporte de mercadorias, resíduos e deslocamento de funcionários.

Etapa 3: Identificar fontes de emissão

Liste todas as fontes por escopo:

  • Escopo 1: Geradores diesel, caldeiras, fornos, frota própria, sistemas de refrigeração e ar-condicionado, processos industriais
  • Escopo 2: Faturas de energia elétrica, contratos de vapor ou aquecimento
  • Escopo 3 (se aplicável): Notas fiscais de fornecedores, registros de frete, dados de resíduos, pesquisas de deslocamento de funcionários

Etapa 4: Coletar dados de atividade

Levante os dados operacionais de cada fonte para o período de 12 meses (ano-calendário ou ano-fiscal):

  • Litros de combustível (diesel, gasolina, GLP, gas natural)
  • kWh de eletricidade consumida (faturas da concessionária)
  • Quilometros rodados pela frota
  • Toneladas de resíduos gerados e destinação de cada tipo
  • Quilogramas de gas refrigerante recargado em equipamentos de refrigeração

Este e o passo mais trabalhoso. Dados fragmentados em planilhas, notas fiscais e sistemas diferentes precisam ser consolidados. Invista tempo aqui — a qualidade do inventário depende da qualidade dos dados de atividade.

Etapa 5: Selecionar e aplicar fatores de emissão

Use os fatores de emissão do MCTI para fontes brasileiras. Para o grid elétrico, use o fator médio anual do SIN publicado pelo MCTI (ou o fator mensal, se tiver dados de consumo mensal). Aplique o GWP do IPCC AR5 para converter cada gas em CO2e.

A Ferramenta GHG Protocol Tool, disponível gratuitamente no site do Programa Brasileiro GHG Protocol, automatiza esse cálculo. Você insere os dados de atividade é a ferramenta aplica os fatores corretos.

Etapa 6: Calcular e consolidar emissões

Some as emissões por escopo e calcule o total. Expresse tudo em tCO2e. Se você já tem um inventário anterior, compare com o ano-base para avaliar evolução. Identifique as fontes mais relevantes (análise de hotspots) — elas serão prioridade nas ações de redução.

Etapa 7: Verificar e publicar

Duas decisões finais:

  • Verificação de terceira parte — opcional, mas necessária para obter a classificação Ouro no Registro Público do GHG Protocol Brasil. Segue a ISO 14064-3 e e realizada por organismo acreditado pelo INMETRO (Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia). Adiciona credibilidade máxima ao inventário.
  • Publicação no Registro Público de Emissões — a plataforma do Programa Brasileiro GHG Protocol onde 1.315 inventários foram publicados no Ciclo 2025, segundo FGVces (2025). A publicação é voluntária e classifica o inventário em três categorias:
CategoriaRequisitos
OuroEscopos 1, 2 e 3, com verificação externa
PrataEscopos 1, 2 e 3, sem verificação
BronzeApenas Escopos 1 e 2

O inventário de GEE é um documento técnico que exige conhecimento de metodologia GHG Protocol, fatores de emissão e limites organizacionais. Para empresas com operações complexas (múltiplas unidades, processos industriais, cadeia de valor extensa), recomenda-se a contratação de consultoria especializada ou verificador acreditado.

Verificação e publicação: Programa GHG Protocol Brasil e Registro Público

O Programa Brasileiro GHG Protocol, gerido pelo FGVces em parceria com o WRI, é a principal estrutura de apoio ao inventário GEE no Brasil. No Ciclo 2025, atingiu 674 organizações-membro e 1.315 inventários publicados no Registro Público — crescimento de 33% em relação ao ciclo anterior, segundo FGVces (2025). A publicação classifica inventários em Ouro, Prata e Bronze conforme escopos cobertos e verificação externa.

Key takeaway: Publique no Registro Público de Emissões — e gratuito, gera benchmark setorial e prepara sua empresa para quando o SBCE exigir histórico.

O Programa Brasileiro GHG Protocol, gerido pelo FGVces em parceria com o WRI, é a principal estrutura de apoio ao inventário GEE corporativo no Brasil. No Ciclo 2025, o programa atingiu 674 organizações-membro, com 1.315 inventários publicados no Registro Público — crescimento de 33% em inventários publicados em relação ao ciclo anterior, segundo FGVces (2025).

O Registro Público de Emissões funciona como vitrine de transparência climática. Qualquer pessoa pode consultar os inventários publicados e comparar dados entre empresas e setores. Para o gestor ambiental, publicar no Registro Público gera:

  • Credibilidade com clientes e investidores — prova pública e verificável de gestão de emissões
  • Benchmark setorial — compare sua intensidade de emissões com empresas do mesmo segmento
  • Preparação para o SBCE — quando o mercado regulado exigir inventários, você já tera histórico e metodologia consolidados

O fluxo de publicação e direto: crie uma conta na plataforma do Programa Brasileiro GHG Protocol, preencha os dados do inventário usando a Ferramenta GHG Protocol Tool, submeta para revisão e escolha a categoria de publicação (Ouro, Prata ou Bronze).

Para a classificação Ouro, a verificação de terceira parte segue os requisitos da ABNT NBR ISO 14064-1 (baseada na ISO 14064-1:2018). Organismos de verificação acreditados pelo INMETRO auditam a integridade dos dados, a conformidade metodológica e a exatidão dos cálculos. O processo leva de quatro a oito semanas e custa entre R$ 10.000 e R$ 30.000, dependendo da complexidade, segundo estimativas de mercado (2024-2025).

Quanto custa um inventário de carbono empresa e como escolher modalidade

O custo de um inventário de GEE para empresas de médio porte varia de R$ 3.000 a R$ 80.000, conforme escopos cobertos e modalidade. Plataformas SaaS custam R$ 3.000 a R$ 15.000/ano e atendem empresas com operações simples. Consultorias especializadas custam R$ 15.000 a R$ 80.000 por projeto e são recomendadas para operações industriais complexas ou quando se busca verificação Ouro no Registro Público.

Key takeaway: Para PMEs de serviços e comércio, plataformas SaaS de R$ 3.000 a R$ 15.000/ano entregam resultado rápido sem depender de consultoria.

O custo de um inventário de carbono empresa varia conforme três fatores: escopos cobertos, complexidade das operações e modalidade de elaboração. Para uma empresa de médio porte (100 a 500 funcionários), as faixas de mercado são:

ModalidadeFaixa de preçoO que incluiPrazo médio
Plataforma SaaS (self-service)R$ 3.000 — R$ 15.000/anoFerramenta de cálculo, fatores atualizados, relatório automatizado2-4 semanas
Consultoria (Escopos 1+2)R$ 15.000 — R$ 40.000Diagnóstico, coleta de dados, cálculo, relatório, suporte para publicação2-4 meses
Consultoria (Escopos 1+2+3)R$ 30.000 — R$ 80.000Tudo acima + mapeamento completo de cadeia de valor (15 categorias)3-6 meses
Verificação (adicional)R$ 10.000 — R$ 30.000Auditoria independente conforme ISO 14064-34-8 semanas

Os valores são estimativas de mercado e podem variar significativamente conforme o porte da empresa, número de unidades, complexidade das operações e escopos cobertos. Solicite orçamentos de pelo menos três fornecedores antes de contratar.

Quando a plataforma SaaS é a melhor escolha:

  • Sua empresa tem operações relativamente simples (escritório, frota pequena, sem processos industriais complexos)
  • Você tem pelo menos um profissional interno com conhecimento básico de gestão ambiental
  • O orçamento e limitado e você precisa de resultado rápido
  • Você quer autonomia para atualizar o inventário anualmente sem depender de terceiros

Quando a consultoria é a melhor escolha:

  • Sua empresa tem múltiplas unidades, processos industriais ou operações complexas
  • E o primeiro inventário e você não tem equipe interna com experiência em GHG Protocol
  • Você precisa de verificação Ouro para atender exigências de clientes ou investidores
  • O Escopo 3 completo é necessário (mapeamento de cadeia de valor extensa)

Honestidade: para empresas com operações industriais complexas ou que precisam de verificação para a classificação Ouro, a consultoria especializada para inventário de carbono empresa entrega mais valor. Plataformas SaaS são excelentes para empresas de serviços e comércio, mas podem não cobrir particularidades de processos industriais.

SBCE e o futuro do mercado de carbono brasileiro

O SBCE (Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões), instituído pela Lei 15.042/2024, transforma o inventário de GEE em obrigação legal para empresas acima de 10.000 tCO2e/ano. A lei prevê penalidades de 3% a 4% do faturamento bruto para descumprimento. Para PMEs, o impacto principal é o efeito cascata via Escopo 3: aproximadamente 5.000 empresas industriais reguladas exigirão dados de emissão de seus fornecedores.

Key takeaway: Não espere o decreto regulamentador — comece o inventário agora e tera dados históricos quando a regulamentação chegar.

O SBCE (Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões) é o mercado regulado de carbono do Brasil, instituído pela Lei 15.042/2024. Ele transforma o inventário de GEE de ferramenta voluntária em obrigação legal para milhares de empresas.

A Lei 12.187/2009 — PNMC (Política Nacional sobre Mudança do Clima) — já autorizava a criação de um mercado de carbono (Art. 9o), mas foram necessários 15 anos até a aprovação do marco regulatório. A Lei 15.042/2024 define cinco fases de implementação (Art. 50), com penalidades de 3% a 4% do faturamento bruto ou R$ 50 mil a R$ 20 milhões para operadores em descumprimento (Art. 37).

O contexto internacional acelera essa transição. A NDC (Contribuição Nacionalmente Determinada) brasileira atualizada em novembro de 2024 estabelece meta de redução de 59% a 67% das emissões até 2035 em relação a 2005, e meta absoluta de 1,20 GtCO2e para 2030, segundo MMA/UNFCCC (2024). Em 2024, as emissões brutas do Brasil foram de 2,145 GtCO2e — uma queda de 16,7% em relação a 2023, mas ainda quase o dobro da meta 2030, segundo SEEG (Sistema de Estimativas de Emissões e Remoções de Gases de Efeito Estufa)/Observatório do Clima (2025).

Para PMEs, o impacto mais relevante e o efeito cascata via Escopo 3. O setor de energia e processos industriais, que responde por aproximadamente 22% das emissões brutas do Brasil, segundo SEEG/Observatório do Clima (2024), e o primariamente coberto pelo SBCE. As empresas reguladas desse setor vão exigir dados de emissão de toda a cadeia de fornecedores.

Além do SBCE, o CBAM (Mecanismo de Ajuste de Carbono na Fronteira) da União Europeia já exige que importadores europeus reportem emissões embutidas em produtos desde outubro de 2023, com cobrança financeira a partir de 2026. Para exportadores brasileiros de aço, alumínio, cimento e fertilizantes — e seus fornecedores — ter um inventário GEE deixou de ser opção.

O Decreto 12.768/2025 criou o Comite Técnico Consultivo Permanente do SBCE, sinalizando que a regulamentação detalhada está em andamento. O conselho prático: não espere o decreto sair. Comece seu inventário de carbono empresa agora, com os Escopos 1 e 2. Quando a regulamentação chegar, você já tera dados históricos e metodologia consolidada.

Para uma análise detalhada dos limiares, fases e implicações da lei, leia nosso artigo sobre a Lei 15.042/2024 e o SBCE.

Referências e fontes

674organizações já publicam inventários GEE no Registro Público brasileiro
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Autor: Equipe Paloma

Publicado em: 2026-04-02

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